Hoje pastor, sobrevivente do Carandiru revela como Salmo 91 o salvou















Sidney Sales é sobrevivente da chacina no Carandiru. Hoje pastor evangélico e gestor de quatro clínicas de reabilitação em Jundiaí (SP), Sidney conta como Salmo 91 operou milagres no dia da chacina.
Em entrevista ao G1, Sales contou que durante a invasão da polícia que atirava para matar nos detentos em 1992, se lembrou de um trecho do Salmo 91 que uma senhora outrora lhe entregou. O Salmo dizia que muitos iriam cair mas não ele não seria atingido, e ele o recitou em meio ao massacre.
“Entrei em uma cela com dez pessoas, cada uma clamado pelo seu Deus. Eu não fiz diferente. Lembrei da carta que aquela mulher me deu e comecei a lembrar das palavras do versículo: Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita,mas tu não serás atingido”, disse ele, segundo a publicação.
Sidey, depois de ver pela janela muitos corpos e muito sangue, clamava por sua vida dentro da cela quando um policial perguntou se havia alguém dentro dela. Apenas na segunda pergunta ele respondeu: ‘sim’.
Segundo ele, os policiais mandaram que eles tirassem suas roupas e fossem até o térreo e sentasse com a cabeça entre as pernas. “Era para não haver reconhecimento depois”, concluiu ele.
Depois disso, Sidney foi escalado para ajudar a carregar os corpos para os caminhões do IML. Ele conta que após carregar 35 cadáveres, um policial lhe pediu que retirasse um último corpo que estava no terceiro andar.

Vi que era um dos companheiros que estavam me ajudando a carregar os mortos. Foi aí que tive certeza que eu seria o próximo.”
O pastor lembra que desobedeceu a ordem e foi para o quinto andar. Entretanto, lá encontrou três policiais. Sidney lhes disse que foi ordenado ser trancado novamente porque o carregamento dos corpos havia sido terminado. “Foi quando eles disseram que um milagre iria acontecer na minha vida”, disse ele.
Segundo ele, o milagre tratava-se de uma chance de viver caso a chave abrisse o cadeado da cela e ele entrasse. Caso não funcionasse, ele seria morto.
Pela segunda vez, Sales afirma que recitou o Salmo 91 e o cadeado abriu. “E eu entrei naquela cela”.
Sidney terminou de cumprir a sua pena, mas voltou a cometer crimes quando saiu. Ele não conseguiu emprego e justifica que não foi aceito pela sociedade. Ele entrou para o tráfico de drogas e foi quando ficou paraplégico em um confronto com a polícia em 1994.
Ele voltou para a prisão. Mas logo, um agente penitenciário lhe falou novamente sobre um milagre em sua vida e ele recebeu um alvará de soltura.
Sidney voltou para sua casa e mais tarde recebeu um convite de missionárias para ir a uma clínica de reabilitação em Jundiaí. “Foi aí que tudo começou a mudar”.
Depois de um ano e meio, Sales deixou a internação livre das drogas e decidiu ajudar outros dependentes químicos. O seu testemunho ajudou muitos a se recuperarem.
Hoje, o pastor usa sua experiência e espiritualidade para manter clínicas em Jundiaí, Várzea Paulista, Campo Limpo Paulista e Francisco Morato (SP).
“Eu usava 50 gramas de crack por dia. Hoje dou o pouco que tenho a quem não tem nada”.
“Sou discípulo do pastor Sales. Alguém que, em cima de uma cadeira de rodas, tem a coragem de passar a noite na Cracolândia para tentar resgatar os jovens é uma referência”, disse um egresso do sistema penitenciário, Daniel das Neves, que auxilia Sales na recuperação de dependentes químicos.
A história do sobrevivente foi retratada no livro “Estação Carandiru’, de Drauzio Varella e no filme “Carandiru”, de Héctor Babenco. O filme foi baseado no livro e gravado em 2003.

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