Você está pronto para dar a outra face? Para muitos, esse mandamento soa um tanto radical e irrealizável, pois como poderíamos ser agredidos e, mesmo assim, virarmos o outro lado da face?





A História nos conta que nos tempos antigos, as relações humanas eram baseadas na barbárie, do tipo se alguém praticasse um crime contra outra pessoa poderia ser punida drasticamente. Por exemplo, se alguém furtasse dinheiro de outrem, poderia ter sua cabeça cortada como retaliação.
Daí, por incrível que pareça, naquele momento histórico, a lei de talião, do latim lex talionis (lex: lei e talio, de talis: tal, idêntico), mais conhecida pela ideia do OLHO NO OLHO, ter representado um avanço, pois estabelecia um limite às punições: elas deveriam ser idênticas ao que fora praticado.



Ocorre que com Jesus, toda essa lógica retributiva é subvertida, colocada de cabeça pra baixo, quando Ele diz, no Sermão da Montanha, antes do ensinamento de amar os inimigos, em Mateus 5:43-48:
“ Tendes ouvido que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo: Não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te dá na face direita, volta-lhe também a outra; ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; e quem te obriga a andar mil passos, vai com ele dois mil. Dá a quem te pede, e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes.”
Este mesmo ensinamento Jesus nos traz, no Sermão da Planície, no Evangelho de Lucas (Lucas 6:27-31). Para muitos, esse mandamento soa um tanto radical e irrealizável, pois como poderíamos ser agredidos e, mesmo assim, virarmos o outro lado da face?
Creio que a dificuldade maior de compreensão destes textos bíblicos se dá, em grande parte, pois tendemos a pensar a agressão apenas sob o aspecto de violência física e praticada por inimigos. Porém, proponho aqui, uma nova reflexão, senão vejamos.
Vivemos, infelizmente, em um mundo extremamente individualista, onde muitas vezes as pessoas só se achegam, se você pode oferecer algo de volta, trazer algum tipo de benefício em troca.
Certamente muitos aqui já devem ter se deparado em suas vidas, com pessoas que desaparecem por completo de suas vidas, mas, como um raio de mágica, voltam se mostrando simpáticas, quando lhes é conveniente. Isso é o que eu chamo da mente UTILITARISTA.
E, neste ponto, é que a mensagem de Jesus deve bater fundo em nossos corações, pois se ela não se fizer presente, a nossa tendência natural é que esse tratamento dos outros que cito acabe criando dentro de nós, ressentimentos, remorsos e mágoas de nos sentirmos usados. Ou seja, pessoas que só são procuradas pelos outros quanto têm algo a oferecer. E não dificilmente, vamos querer “dar o troco”, já que a nossa JUSTIÇA PRÓPRIA tenderá a falar mais alto.
E isso pode até levar a uma depressão, pois o que é, muitas vezes, ela, entre outras razões, se não o resultado de acharmos que não recebemos aquilo que demos aos outros ao longo da vida?
Daí, a importância que vejo em fazermos o bem, sem esperar o mesmo do outro, que muitas vezes não agirá da mesma forma ou o fará de forma diferente. Isso faz parte do amadurecimento nosso pessoal e como cristãos. Aceitar a vida como ela é.
Concluindo, tal lógica infelizmente tem afetado até a fé de muitos, pois virou uma fé utilitarista, tipo a que víamos no paganismo romano. As pessoas buscavam os deuses não pelo que eles eram, mas, focando apenas em milagres e bençãos materiais. Que este espírito nunca tome conta do nosso interior. Amém.
* As opiniões expressas nos textos publicados são de exclusiva 
responsabilidade dos respectivos autores e não refletem, necessariamente, 
a opinião do Gospel Prime.


autor(a)

Leandro Bueno

Leandro Bueno (+ artigos)


Procurador da Fazenda/Professor. Membro da Igreja Presbiteriana do Brasil

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